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Pastoral Universitária

FRANCISCO DE ASSIS E O SULTÃO - 9

30/09/2019
 "É PRECISO TER PENA DOS QUE APOIAM AS PENAS DE MORTE"

De onde partiu Francisco de Assis para chegar ao Oriente? Pelas estradas de sua itinerante vida peregrina? Por via marítima? Bartolomeu de Pisa, em 1385, escreveu nas suas “Conformidades” que Ancona foi o ponto de partida de Francisco. Fontes históricas da época dizem que as naves guerreiras da quinta Cruzada saíram de Bríndisi. Fontes mais orais dizem que Francisco saiu de Ancona, passou por Bríndisi e chegou em Spalato, na Dalmácia, mas não temos nenhuma prova histórica escrita sobre isto. Como ele chegou ao reino sarraceno? O modo não sabemos, o que sabemos é que por dez anos ele sonhou entrar em contato com este outro mundo. Em 1211, ele pôs-se ao mar, mas uma tempestade impediu. Em 1214 quis chegar a Marrocos passando pela Espanha, mas devido ao estado de saúde não continuou a viagem.

O que move Francisco é a vontade e isto faz a rota de chegada a Damieta, no Egito, em 1219. A vontade firma os passos em direção a um grande objetivo. Francisco de Assis misturou-se aos peregrinos armados, os cruzados, para ser um amado peregrino da concórdia. Queria falar do Senhor Jesus além das fronteiras do Ocidente. Falar de Jesus é melhor do que falar de estratégias de batalhas. O que traça o seu caminho é a vontade de ser ministro e servo de Deus. Não queria luta sangrenta, mas sim o fim de todo ódio contra os assim chamados infiéis. Nenhum cronista da época fala como ele pagou as despesas de uma viagem marítima, como ele se alimentou, como não foi percebido entre os viajantes. Um homem vestido como um mendigo podia ser confundido como um clandestino dentro de uma embarcação e expulso. Nada sabemos; o que sabemos é que ele chegou lá. No olho do furacão, a presença de um pequeno e frágil homem, indo, indo, indo em frente, bem consciente de sua missão.

Uma viagem entre jejum e preces. O Deus dos Exércitos conduz os que lutam pela paz. Um homem ajoelhado em oração, em boa parte da viagem, é um sinal de calmaria diante da estupidez da guerra. Cada vez que fracassavam as tentativas de derrubar os muros da fortaleza de Damieta, o ódio aumentava. O diálogo se estabelecia somente a partir de envio de prisioneiros mutilados e torturados. Francisco estava lá, quando em 29 de Agosto de 1219 aconteceu a cruenta batalha. Tomás de Celano conta em sua biografia: “No tempo em que o exército cristão sitiava Damieta, o santo de Deus estava presente com seus companheiros: na verdade, haviam atravessado o mar pelo fervor do martírio. Então, ao se prepararem os nossos para o dia da batalha, tendo ouvido isto, o santo queixou-se profundamente da guerra. E disse aos seus companheiros: ‘Se em tal dia acontecer o embate, o Senhor me mostrou, os cristãos não se sairão bem. Mas se eu disser isto, serei julgado como louco; se eu me calar, não escapo da consciência. Portanto, o que te parece?’ O companheiro respondeu-lhe, dizendo: ‘Pai, não te importe que sejas julgado pelos homens, porque não é de agora que começas a ser julgado como louco. Descarrega tua consciência e teme mais a Deus que aos homens’. Então, o santo sai de si e dirige-se aos cristãos com admoestações salutares, desaconselha a guerra, anuncia a derrota. A verdade torna-se fábula e eles endureceram o coração e não quiseram ser advertidos. Vai-se, combate-se, guerreia-se e os nossos são acuados pelos inimigos. E, durante a batalha, com espírito preocupado, o santo manda o companheiro levantar-se para olhar; e manda olhar pela terceira vez quem nada viu na primeira e na segunda. E eis! Toda a cavalaria dos cristãos voltada para a fuga, trazendo o fim da guerra a vergonha, não o triunfo. E por esta grande derrota, o número dos nossos diminuiu tanto que houve seis mil entre mortos e prisioneiros. A compaixão para com eles consumia o santo, e não menos os consumia o arrependimento pelo acontecido (...) Costuma terminar em desgraça o atrevimento que, enquanto se apoia em suas próprias forças, não merece auxílio celeste. Se, pois, a vitória deve ser esperada do alto, as batalhas devem ser combatidas com espírito divino” (2Cel 30).

Com este relato vemos como Francisco é contra qualquer tipo de guerra. Nasce o Santo da Paz! Ele acredita que se há um diálogo que vem da força do espírito, os conflitos não acontecem. É impossível chegar em acordos com uso da tortura e da morte. No espírito cristão não se aprova e nem se permite o uso de qualquer tipo de violência. Devia renunciar a sua fé cristã, quem apoia uso de mecanismos de morte para resolver questões onde a vida está em risco. É preciso ter pena dos que apoiam as penas de morte. Como no texto acima, conhecerão a vergonha da derrota.

CONTINUA

FREI VITORIO MAZZUCO
FRANCISCO DE ASSIS E O SULTÃO - 9

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